Paulo Campos

Jornalista e Editor dos cadernos de Turismo do Jornal O Tempo e Pampulha

14/09/2016


Sala de Embarque por Paulo Campos em João Pessoa

 

João Pessoa é uma cidade que conquista cada vez mais os turistas pelo sossego, segurança e belezas naturais. Há pouco tempo, a capital paraibana, que já completou 430 anos e leva o título de a terceira cidade mais antiga do Brasil - fundada em 1585 - ganhou um calçadão charmoso.

O que tem em João Pessoa de tão especial? Além de nove praias limpas, de águas mornas e tranquilas, um centro histórico preservado, excelente gastronomia e uma riqueza cultural. Para se ter ideia, o Farol do Cabo Branco, marco histórico e geográfico na Ponta do Seixas, é o ponto mais oriental das Américas.

Hoje, a cidade com quase 800 mil habitantes está entre os dez municípios com melhor padrão de vida, atestado pelo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), atualmente uma referência que mede qualidade de vida em função de fatores como longevidade, educação e renda da população.

Para se ver na capital paraibana, há atrativos turísticos, como o Farol do Cabo Branco, de 1972, situado 40 m acima do mar, uma espécie de mirante que carrega consigo a fama de ser o local onde o sol nasce primeiro, mas, para ser justo, o pôr do sol merece ser apreciado na praia do Jacaré, em Cabedelo, antes das 17h. Às margens do rio Paraíba, o visitante observa o fenômeno da natureza, ao som do Bolero de Ravel, entoado por Jurandy do Sax. Às 18h, pontualmente, o artista ainda interpreta a tradicional “Ave Maria”.


Há ainda, as piscinas naturais de Picãozinho, um arrecife de corais a 1 km da costa, que guarda rica vida marinha e pode ser alcançada de catamarã. Perto dali e a 10 km da praia de Tambaú, um atrativo à parte, no município de Cabedelo, é a praia da Areia Vermelha, um banco de areia que se forma no meio do mar quando a maré está baixa – só é possível chegar lá de barco. A cor da areia é por causa da alta concentração de ferro.

A orla de João Pessoa tem um pouco de tudo: casas, edifícios, lojas, bares e restaurantes para todos os gostos, cardápios e bolsos. Uma lei estadual proíbe os edifícios com mais de três andares à beira-mar. Para completar esse cenário de intensa beleza, as praias têm quiosques, areia limpa, mar azul-turquesa e coqueiros.

A gastronomia paraibana é um atrativo à parte - carne de sol na nata é um prato obrigatório, assim como as famosas tapiocas gigantes. A culinária paraibana é uma fusão de raças, costumes e culturas que passaram pela cidade desde sua criação, dos indígenas até portugueses e holandeses. Há um pouco de tudo do Nordeste, como a carne de sol com macaxeira cozida, tapioca, manteiga de garrafa, queijo coalho, cuscuz, buchada de bode, rubacão, baião de dois, preparado com feijão-de-corda, arroz e galinha à cabidela, feita com o sangue do próprio animal e vinagrete.

O centro histórico é bonito de se ver por sua arquitetura única. Suas edificações compõem um cenário de diferentes estilos e épocas, do rococó ao art decó, como a igreja da Ordem Terceira de São Francisco, o rococó da Igreja de Nossa Senhora do Carmo e o estilo maneirista da igreja da Misericórdia, todas do século XVII. É um lugar obrigatório pela riqueza de detalhes de suas casas, sobrados, praças e igrejas seculares, a ponto de ter sido tombado em 2007 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Compensa ainda uma visita à catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, erguida em 1586 e reconstruída no fim do século XIX, a igreja de Santa Thereza, o Convento de Santo Antônio, o Theatro Santa Roza, o Casarão de Azulejos e o Hotel Globo.


A cidade ainda ganhou um ar de modernidade na última década com a construção de um centro de ciência, artes e cultura chamado Altiplano, uma obra do arquiteto Oscar Niemeyer que abriga exposições e eventos culturais. Com 8.500 m² de área construída, está localizado na praia de Cabo de Cabo Branco, a menos de 4 km pela orla.