Paulo Campos

Jornalista e Editor dos cadernos de Turismo do Jornal O Tempo e Pampulha

07/08/2015


Sala de Embarque por Paulo Campos em São Miguel do Gostoso!

São Miguel do Gostoso

O balneário de Pipa, no litoral Sul do Rio Grande do Norte, é ainda a esticada ideal para quem visita a capital Natal. Mas os turistas, especialmente estrangeiros e do Sudeste do Brasil (leiam-se paulistas), descobriram, há cerca de dois anos, outra praia no litoral potiguar.

É o destino emergente de São Miguel do Gostoso, pequeno no tamanho(tem menos de 9.000 habitantes), mas grande nas belezas. São quilômetros e quilômetros de praias desertas que têm deixado italianos, portugueses, austríacos e norte-americanos de queixo caído.

A viagem para esse lugar pra lá de calmo e gostoso começa na BR–101 e, depois, embrenha-se por outros caminhos menores, onde se percorre 100 km sem se cruzar com um único carro. Esse é o primeiro indício de que muitas (e boas) surpresas virão pela frente.

São Miguel do Gostoso só começou a ser levado a serio há pouco tempo pelos órgãos de turismo estaduais. Até então a infraestrutura era pequena, tímida. Mas, com a chegada dos estrangeiros à procura de bons ventos para a prática do kite e do windsurfing, o povoado entrou definitivamente no mapa do turismo brasileiro e até mundial.

As pousadas multiplicaram de quatro para 24 nos últimos cinco anos; os restaurantes, idem – há culinária italiana, árabe, contemporânea, francesa, baiana, espanhola. Os paulistas foram os primeiros a percebera potencialidade de São Miguel do Gostoso enquanto destino turístico.

A divulgação do destino levou também à abertura do primeiro (e único) receptivo local, que organiza passeios pelas principais praias da região, o famoso ponto de mergulho de Maracajaú e cidades emergentes no turismo como Galinhos.

A primeira sensação em São Miguel do Gostoso é que os ventos ditam o ritmo (e a presença) do viajante no município. A cidade está a 85 km do novo aeroporto, o de São Gonçalo do Amarante. Os programas abrangem os litorais Sul e Norte, o ecoturismo e se estendem a municípios vizinhos que também tentam entrar na geografia do turismo.

O trajeto mais longo dura cerca de uma hora. Durante o tour, um pouco de aula de história e, obviamente, de geografia. A história permite ao viajante entender a origem do nome das praias, como o da Ponta de Santo Cristo.

O local recebeu esse nome por causa de um crucifixo encontrado na areia – em 1501, um padre teria sido devorado pelos índios, no primeiro exemplo de canibalismo no litoral nordestino.
O passeio por bugue nas praias possibilita que se saboreie a geografia do lugar sem pressa. Desde que se levem boné, protetor solar e óculos escuros. O sol costuma castigar a pele e os olhos dos viajantes – a temperatura beira os 40º C.

As paradinhas estratégicas são para se refrescar na água do mar. Na mais curiosa delas, o guia aponta para as ondas quebrando fortes em uma rocha e formando uma espécie de esguicho apelidado de “O Suspiro da Baleia”. A onda bate forte em uma fenda e produz jato que pode atingir 6m de altura. É um espetáculo único na natureza de Gostoso.
Depois, é só deitar na praia para esperar o pôr do sol, quando o astro se metamorfoseia em bola vermelha de incrível beleza. Máquinas a punho, é hora de registrar o cenário em fogo contra as rochas de 2.500 anos que, no passado, batizaram o lugar de Tourinhos.