Uma cidade jovem, alegre e solar...

Ao saber que embarcaria para Lisboa, um fado de Amália Rodrigues bateu na minha memória de maneira insistente. Até descer no aeroporto da Portela, tinha uma imagem histórica e melancólica da capital portuguesa. Mas me deparei com uma cidade jovem, alegre, solar, com temperatura batendo os 40º C. Na época das grandes navegações, Lisboa foi porta de saída da Europa, hoje é o principal portão de entrada dos brasileiros no continente.

Vou subir a Augusta e descer a Liberdade, vasculharei os recantos de Belém e subirei ao castelo de São Jorge. Andarei pelas calçadas que ligam o Rossio à Praça do Comércio para contemplar monumentos, farei parada estratégica em uma esquina da praça da Figueira para tomar ginjinha, similar à cereja, o licor à base de ginja, e, antes de descer a rua Augusta ou apanhar o elétrico 28, vou observando toda a lógica lusitana.

Percorrer a Cidade Baixa é uma visita ao passado. Desde que foi aberto à visitação, o Arco da rua Augusta é o monumento que emoldura a praça do Comércio. Suba o elevador que leva ao topo do arco, um mirante com vista panorâmica de 360º de Lisboa e do rio Tejo. Pode-se casar o bilhete com o Lisboa Story Centre, espaço interativo planejado para envolver o visitante na história da capital portuguesa.

Augusta

Nos últimos anos, Lisboa viveu um processo acelerado de recuperação de seus prédios históricos. A rua Augusta é um ótimo local para observar a qualidade da arquitetura portuguesa. Ao reconstruir a cidade após o grande terremoto de 1775, o marquês de Pombal aboliu os detalhes arquitetônicos. Apanhe essa via pública de calçamento de pedra e dobre a rua da Conceição e, depois, a dos Correeiros para testemunhar muitas curiosidades históricas.

Protetor da cidade, o castelo de São Jorge - situado logo acima do bairro da Alfama - é passeio para uma tarde e ponto obrigatório para turistas. Chega-se lá de carro ou no bonde elétrico 28, que parte da praça da Figueira. No caminho, depara-se com a catedral e a igreja barroca de Santo Antônio. De lá, se vê praticamente todos os monumentos da cidade. Uma dica é degustar um vinho ou experimentar uma iguaria da Casa do Leão.

Há maneiras e maneiras de atingir o bairro Alto. A mais deliciosa é apanhar o bonde elétrico 28E, um patrimônio de Lisboa, e apreciar a paisagem devagar. A outra é apanhar o Ascensor da Glória, que deixa o turista próximo ao jardim São Pedro de Alcântara. Uma outra ainda é subir as ladeiras íngremes a pé. O bairro Alto, na fronteira com o Chiado, é hoje o mais badalado da capital portuguesa. É que a região concentra um monte de bares, restaurantes e boates.

Descobrimentos

O bairro de Belém está ligado aos grandes descobrimentos. Desde 2006, o governo desenvolve um projeto de revitalização do bairro chamado “Belém Redescoberta”, que incluiu, até agora, a construção do novo Museu Nacional dos Coches, que reúne,magnífico acervo de carruagens de madeira talhadas pintadas a ouro, e do Centro Cultural de Belém, onde fica o Museu Berardo, variada coleção de arte contemporânea e contemplativa.
Belém tem três marcos dos feitos náuticos: o Mosteiro dos Jerônimos, obra máxima da arquitetura manuelina, a Torre de Belém, cartão-postal da capital portuguesa, e o Padrão dos Descobrimentos, erguido em 1960 para ser pavilhão em uma feira.

Modernidade

Um dia inteiro deve ser dedicado ao Parque das Nações. Para chegar lá, apanhe o metrô em direção à estação Gare do Oriente, terminal que serve de estação de ônibus, metrô e shopping center. A proposta ali é outra: na área onde existia uma degradada área industrial e portuária foi erguido um complexo de edifícios de arquitetura arrojada. Hoje, o Parque das Nações é referência em planejamento e meio ambiente em Lisboa.

Ele é um marco da modernização de Lisboa, com diferentes atrativos – Oceanário, teleférico de 1.230 metros, Torre Vasco da Gama, o Pavilhão do Conhecimento, a casa de shows Meo Arena, o Pavilhão de Portugal, o cassino e a marina, região arborizada, com calçadão charmoso, minicachoeira e projeto paisagístico que mescla espécies da flora de diversos continentes em pequenos parques.

Quando se pensa em Lisboa, a associação gastronômica imediata é o bacalhau. Mas a cidade tem deliciosos programas, como os famosos pastéis de nata de Belém e os imperdíveis “travesseiros” e queijadas de Sintra. Portugal é também o país dos vinhos, entre eles o do Porto, excelente acompanhamento para seu famoso pão de ló ou para sua doçaria conventual de sabores celestiais.